Rap em música erudita para seu evento

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A ascensão cada vez maior de pessoas desfavorecidas a um status de vida melhor tem criado encontros culturais fascinantes. Essas combinações demonstram que, se culturas diferentes podem conviver e cooperarem uma com a outras, as pessoas também possam. Como essas interações são muitas vezes aleatórias ou incidentais passam despercebidas até se tornarem de fato explicitas.

Assim o que vemos consolidado é muitas vezes um processo de longa data. Com a ascensão da classe C ao mercado de bens simbólicos, as orquestras de eventos como bodas e festas corporativas devem se preparar para criar arranjos advindos de outros estilos musicais, que marcaram a vida de seus empregadores, mas que desejam que estas lembranças sejam plasmadas de maneira mais adequada a seu status atual.

Rap e Orquestra

Rap erudito

Rappers clássicos americanos já fizeram uso de composições criadas por compositores clássicos citando artistas como Nas(I Can, que tem elementos de  Für Elise -Beethoven, Hate Me Now  – Carl Orff) e Ludacris (Coming 2 America, com elementos sobrevindos de Requiem e Symphony No. 9 de Mozart, Antonín Dvořák, respectivamente). Seja como samples em suas músicas ou até para criar uma atmosfera grandiosa à música de camara parece estar sempre presente sub-repticiamente.

Não sem algumas polêmicas. Mas não seria o rap se não as houvesse.

Colisão de titãs

Em 2014, o Sir Mix-a-Lot se apresentou com a orquestra Seattle Symphony’s Sonic Evolution causando certo desconforto. Setores mais radicais defenderam que rap e a música erudita deveriam se manter afastados.

No Brasil outra experiência semelhante aconteceu, com uma recepção melhor: Projota lançou o vídeo de “Preste Atenção”, composta a partir do ritmo de uma composição de Sergei Rachmaninov, em 2013.

Exemplo simultâneo dessa alegre hibridação o rapper Elias Gehrti, Filho de um violinista, e criado em um ambiente em que a música clássica era tão presente quanto a MPB, faz uso da música erudita desde a gênese de sua carreira.

A insustentável remixagem do ser

Do lado da múscia clássica vemos que essa interação também caminha a largos passos Radzimir Dębski -conhecido como Jimek – compositor polonês da música cinematográfica e de entretenimento, maestro e produtor musical, e nome por trás disso, no continente de onde surgiu toda nossa tradição clássica. Vindo de uma família musical – o filho do compositor Krzesimir Dębski e atriz e cantora Anna Jurksztowicz em 2015 ele interpretou um concerto em sua terra natal onde conseguiu “mixar” 30 hists do RAP em dez minutos.

Em cooperação com Milosz “Miuosh” Boryckim e a Orquestra Sinfónica da Rádio Nacional Polonês, foi um concerto recorde registado em março, na sede da Rádio Polish National Symphony Orchestra na praça Wojciech Kilar em Katowice. Foi lançado em junho do mesmo ano, sob o nome de História do Hip-Hop (ou uma das).

A quem diga que o tom de grandiosidade e espiritualidade erudito é um tanto dissonante do rap é algo mais orgânico e polêmico. Mas convenhamos; Mozart, Strauss e Wagner não os são polêmicos? Beyonce e Jay-Z não tratam de grandes temas da intimidade humana?

Assim quando buscar uma discotecagem para os seus casamentos, para seu evento corporativo, para sua festa de aniversário, não tenha medo em procurar uma boa orquestra: os profissionais atuais estão preparados para adaptar toda a sorte de repertórios ao modo erudito trazendo temas ligados a sua intimidade e seu coletivo, sem deixar de perceber que você também se tornou um clássico de seu mundo.